Ode Marítima

[...]

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.

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Fernando Pessoa / Álvaro de Campos. Ode marítima. In: Poemas
de Álvaro de Campos. Ed.crit. de Cleonice Berardinelli. Lisboa:
IN CM,, 1990, p. 81.

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Artista: Lélia Parreira
Título do quadro: Ode Marítima
Técnica: Acrílica sobre MDF
Dimensões: 70 x 90 cm
2011