Leve, Breve, Suave

Leve, breve, suave,
Um canto de ave
Sobe no ar com que principia
O dia.
Escuto, e passou...
Parece que foi só porque escutei
Que parou.

Nunca, nunca, em nada,
Raie a madrugada,
Ou splenda o dia, ou doire no declive,
Tive
Prazer a durar.
Mais do que o nada, a perda, antes de eu o ir
Gozar.

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Fernando Pessoa. Poemas de Álvaro
de Campos. Ed.crit. de Cleonice Berardinelli.
Lisboa: IN CM, 1990, p. 216-7.

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Artista: Lélia Parreira
Título do quadro: Leve, breve, suave.
Técnica: Acrílica sobre tela.
Dimensões: 135 cm x 85 cm.
2010.