Não sou ninguém I -

nao sou ITudo se me evapora. A minha vida
inteira, as minhas recordações, a
minha imaginação e o que contém,
a minha personalidade, tudo se me
evapora. Continuamente sinto que
fui outro, que senti outro, que
pensei outro. Aquillo a que assisto
é um espectaculo com outro
scenario. E aquillo a que assisto sou
eu. (...) E tudo se me confunde num
labyrintho, onde, commigo, me
extravio de mim.
(...)

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Fernando Pessoa. Livro do Desasocego. Edição
de Jerónimo Pizarro. Lisboa: IN-CM,
2010. Tomo I, p. 371-372.

 

Lélia Parreira
Não sou ninguém I - 2017
Impressão, acrílica e colagem sobre tela
85 x 60 cm

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