Amor

amorNão sei se é amor que tens, ou
amor que finges,
O que me dás. Dás-m’o. Tanto
me baste.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu joven por erro.
Pouco os Deuses nos dão, e o
pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja,
a dadiva
É verdadeira. Acceito,
E a te crer me resigno.

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Fernando Pessoa. Poemas de Ricardo Reis. Ed.
crít. de Luiz Fagundes Duarte. Lisboa: IN CM,
1994, p. 167.


Lélia Parreira
Amor - 2017
Impressão e acrílica sobre tela
70 x 90 cm

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