Almas pares

almasE isto não é literatura – será apenas expressão literária de uma realidade.
E quem me dirá se me enganei ou não? Perturbador enigma... Enfim...
Não quero de modo algum profanar a sua carta com mais considerações pessoais.
Apenas lhe digo que me emocionou profundamente, que julgo tê-la vibrado e
compreendido intimamente.
O drama atinge a sua culminância na aparição de duas teorias
diferentes – sobre o mesmo caso – e igualmente certas.
Seria até o assunto para um drama em romance ou teatro:
assunto que por força seduziria Ibsen.
Com(ov)idamente “obrigado” portanto pela sua carta de hoje,
meu querido Fernando. (...)
Suplico-lhe é que nunca deixe de me escrever essas grandes cartas.
Se soubesse como me faz bem, como sou feliz lendo-as e respondendo-as. (...)
----------------------------------------------------------------
Sá-Carneiro, Mário de. Cartas a Fernando Pessoa.
Lisboa: Ed. Ática, 1959, Vol. II, p. 71.

Lélia Parreira. Almas pares. Acrílica sobre
tela. Dimensões: 0,90 x 0,70 m. 2015.

© 2010 /2018 - Todos Direitos Reservados à Lélia Parreira